(Pode conter pequenos Spoilers)
Natalie Portman está deslumbrante no papel de Nina, uma bailarina que está próxima de assumir o cargo de primeira bailarina pertencente a Beth MacIntyre(Winona Ryder).
Portman está fenomenal. Eu poderia jurar que não era a mesma atriz que fez Pádme em Star Wars. Ela cria com maestria e perfeição a menina Nina, que por causa de sua pureza e busca incessante pela perfeição (Dentro e fora do Balé) se vê cercada de problemas interiores. Ela consegue nos convencer em todos os momentos, seja nos seus momentos felizes, (como no momento em que essa liga pra mãe pra avisar que ganhou o papel na peça, pra logo em seguida sentir um medo enorme) ou tristes ela consegue passar pros telespectadores toda angustia, todos os pensamentos, as certezas (e incertezas), a busca pela perfeição e sua fragilidade que faz com que não consiga libertar o cisne negro. E nós somos guiados por ela durante todo o maravilhoso filme. O filme é inteiramente dela (E não é a toa que não haja uma só cena em que ela não apareça).
Das cenas com a mãe (Barbara Hershey) que lhe exige desde pequena o limite e mais um pouco, passando pela bailarina(Winona Ryder) que não aceita ser trocada por Nina; e que resulta em duas das melhores cenas do filme) todas são muito bem dirigidas e possuem um timing perfeito(O filme não cansa em momento algum).
A única atriz que não rende boas atuações é a fraca Ksenia Solo que interpreta Veronica, e que (pena) possui um papel importante. É com ela que Nina 'vive' (ou não) outras grandes angustias. O medo (e praticamente certeza) de que esta vai lhe roubar o papel duram o filme inteiro. Apesar de que isso não fica claro em nenhum momento e chega a parecer uma loucura da parte de Nina.
Loucura e medo. Darren Aronofsky faz um trabalho fenomenal aqui. Esperava ver um bom filme de drama mas não achei que encontraria boas doses(e muito bem dirigidas diga-se de passagem) de terror psicológico. Ele nos assusta, nos amedronta; consegue nos fazer sentir tudo que Nina sente. Grande feito também pela ótima fotografia do filme (Que sempre em uma paleta escura, no inicio ainda conserva um brilho muito maior em Nina, enquanto as outras pessoas estão durante boa parte do tempo com roupas escuras) e direção de arte, com suas belas maquiagens, cenários e figurinos. Em todas as cenas em que este evoca o medo e loucura da protagonista, o silencio, o uso de sombra, os vultos, o sangue; tudo está na medida certa e funciona muito bem.
Nas cenas com Thomas Leroy (Vincent Cassel); que também está ótimo; é que vemos sempre um avanço na historia. Como um exigente diretor ele cobra de Nina o máximo e mais um pouco, pois ela é perfeita; mas o perfeito é pouco pro Cisne Negro, pois este é imperfeito. A cada cena De Nina com Leroy vemos cada vez mais o desgaste da menina diante das cobranças. Não é a toa que ela enlouqueça. Mas a loucura nada mais foi que o processo necessário pra peça se completar.
Pois o filme inteiro é o balé. O que vimos do inicio ao fim nada mais é do que a peça em si. Da garota virginal pura que deseja liberdade, passando pelo cisne negro que tudo seduz, até a morte em busca da liberdade do cisne branco. Da morte. Pois foi preciso ''A morte'' pra transforma-la no cisne negro, e foi Na Morte em que ela conseguiu a perfeição que a mãe cobrava, e conseguiu finalmente a liberdade.
5/5 Sem sombra de duvidas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário